2008
«Manuel Maria Carrilho lembrava a semana passada (DN, 27/11/08) que “uma política da língua só pode ser uma política dos materiais em que ela se concretiza”.Mas claro que as palavras desta filósofo não interessam nada, sobretudo porque ele já provou, enquanto ministro da Cultura, que não há nada mais prático do que uma boa teoria. Fez demasiado, exigiu demasiado, conseguiu demasiada visibilidade exterior para o cinema e a literatura portugueses – por isso acabou por ser enviado para Paris.»
Inês Pedrosa, Expresso, 29/11/08
«Desde o fim da era Carrilho, a “estratégia” do país para o sector [da cultura] tem sido um vazio de piruetas mortais e sprints em ziguezague, para não falar de momentos de verdadeira queda-livre, kamikaze.»
Vanessa Rato, Obscena nº 13/14, p.15
«Tendo conhecimento da remodelação ministerial que (…), propomos que se volte a repensar a política cultural nos termos em que Manuel Maria Carrilho o fez. Ao contrário dos últimos governos, onde se assistiu a uma falta de conhecimento e planificação para esta área por parte de cada ministro da Cultura que tivemos (e foram 5 nos últimos oito anos), é inegável que Carrilho foi o único nesta pasta que teve uma visão alargada do que é criar estruturas e consolidar o tecido profissional e criativo de um país, e que pôs de pé um projecto consistente, com conhecimento da realidade tanto no campo da criação artística como no da gestão e dinamização do património cultural, em todas as suas frentes - técnica, artística, administrativa, de produção, de programação, de equipamentos culturais, de sensibilização de públicos, de interacção de agentes, nomeadamente autarquias, direcções regionais e Estado - e compreendendo a necessidade de articulação de todas essas mesmas frentes. Soube fazê-lo rodeando-se de equipas competentes, de elementos com um verdadeiro conhecimento no terreno e sobretudo munidos de um real noção da contemporaneidade, visando um futuro de criação, difusão e dinamização da cultura portuguesa, dentro e fora do país. (…) Os abaixo-assinados, que desejam um país culturalmente ao nível da Europa em que se diz inserido, lançam assim um repto a este governo, propondo a escolha, por parte do primeiro ministro, de alguém com o mesmo nível de visão e de projecto que Manuel Maria Carrilho teve para a Cultura em Portugal.»
Um projecto consistente para a Cultura em Portugal
Abaixo-assinado on-line que recolheu 2838 assinaturas entre 01.01.08 e 10.02.08
«O único que vi tomar decisões a mais longo prazo, foi M.M.Carrilho, que decidiu construir ou renovar teatros pelo país, permitindo aos concelhos terem as suas estruturas para promoverem o consumo de espectáculos. Foi o único.»
José Pedro Gomes, Sexta, 08.02.08
2007
«É verdade ainda que M.M.C. é um político “antipático” para a comunicação social. Mas também é verdade que é um político fora do comum, com uma capacidade acima da vulgaridade e uma cultura raríssima na política. È indesmentível que sempre foi um político de coragem. Basta lembrar a sua prestação no congresso de consagração kimilsunguiana de Guterres (...). E essa coragem voltou a manifestar-se agora.»Artigo
São José Almeida, Público, 06.10.07
«“Il faut agir en homme de pensée et penser en homme d’action”. Cette phrase du philosophe français Henri Bergson, Manuel Maria Carrilho l’a érigée en maxime quand il était ministre de la Culture du Portugal. Comme si elle avait été écrite pour lui, une maxime de composition en quelque sorte.» Artigo
S.V., Philosophie Magazine, nº 7 (mars/07)
2006
«Fica a sensação que não há rumo nem política. E o problema é antigo. Não morrendo de amores pelo estilo e pela substância de Carrilho, temos de reconhecer que foi o único ministro da Cultura que Portugal conheceu. Depois e antes disso, o vazio.»
Daniel Oliveira, Expresso, 14.01.06
2005
No ano de 2005, tudo o que se disse “sobre mmc” foi muito marcado pela candidatura autárquica de Lisboa. Sobre o que a antecedeu, veja-se «O cerco a Lisboa». Sobre o resto, remeto para o livro Sob o Signo da Verdade, bem como para a Controvérsia que ele suscitou. Estãoambos aqui no site, em Obras.
2003
«Nos anos PS conseguiram-se algumas coisas francamente boas no campo social. No caso da Cultura, o ministro Manuel Maria Carrilho colocou a cultura no mapa. Carrilho vai fazer história. Vai-se dizer “isto foi criado por…”»
Pedro Abrunhosa, entrevista ao Expresso, 13.12.03
«A colecção da Moda e a do Design não são independentes?
-Não, são duas colecções ligadas, sempre o foram. E o ministro Manuel Maria Carrilho entendeu, e muito bem, que o público devia ter igual acesso às duas colecções que, para lá do interesse cultural cobrem áreas que se cruzam directamente com a economia portuguesa. (…) Em Portugal, pergunto, como é que seria possível preparar, educar para o “design” se as pessoas não tivessem sequer acesso a ver? Era esta dupla função, cultural e cívica, que Manuel Maria Carrilho reconhecia às duas colecções em simultâneo. Como calcula, ter de me bater, depois da saída dele, por explicar o óbvio a todos os seus sucessores e por fazer cumprir os acordos entretanto assinados foi muito desgastante.»
Francisco Capelo, entrevista a Linha, Novembro/03
«Carrilho é uma estrela em ascensão e (…) segue o caminho de marcar terreno de fora para dentro, com reconhecida independência de espírito. Mas muito terá de mudar ainda o PS até Carrilho, homem de qualidade intelectual acima de toda a suspeita, conseguir ser alternativa à liderança»
João Marcelino, Correio da Manhã, 14.09.03
«Farto do “tricot financeiro permanente”, foi com críticas ao actual Governo e um forte elogio a Manuel Maria Carrilho que João Gonçalves se demitiu, na semana passada, do cargo de vogal do Conselho Directivo do Teatro Nacional de São Carlos. (…) O facto de ser militante do PSD desde 1983 não coíbe João Gonçalves de elogiar o trabalho governamental de Manuel Maria Carrilho, respeitosamente tratado por “ministro”. Tudo o que está a acontecer foi previsto por ele – e demitiu-se. O único momento em que houve saneamento financeiro no São Carlos, foi com o ministro Carrilho; o único ministro da Cultura que Portugal teve foi Carrilho.»
C.A., Expresso, 18.04.03
«Manuel Maria Carrilho afasta com alguma sobranceria a ideia de que este livro estaria aqui para tornar claro que ele teve razão mais cedo do que os outros. E afirma com particular justeza: “ Em política, nunca se tem verdadeiramente razão antes do tempo. (…) A avaliação da razão no tempo, tem a ver com a história, não com a política. A política tem a ver com a acção, é um compromisso com o próprio tempo.”»
Artigo
Eduardo Prado Coelho, Público, 14.06.03
«Mas refiro um facto: dos dirigentes do PS, o único que tomou publicamente uma posição crítica sobre o meu afastamento, foi Manuel Maria Carrilho.»
Barros Moura, em entrevista ao Público, 12.01.03
2002
«Tivesse Guterres emendado a mão perante o diagnóstico do ex-ministro da Cultura e talvez não tivesse saído pela porta baixa após o “cartão vermelho” que recebeu dos portugueses em Dezembro de 2001.Os “avisos” de Carrilho foram vários e sempre contundentes.»
Isabel Oliveira, Expresso, 30.11.02
«O ministro da Cultura que, com todos os seus defeitos, teve alguma visão global, foi Manuel Maria Carrilho. A partir daí, é uma gestão de miséria, com um desprezo cada vez maior por tudo o que tem a ver com qualquer iniciativa cultural.»
Paulo Branco, entrevista ao Diário de Notícias, 30.10.02
«Nos anos de ouro do guterrismo, quando os “opinion makers” ainda não tinham começado a desancar no governo socialista, a excepção era Manuel Maria Carrilho. Não havia semana que não aparecesse algum editorialista ou colunista influente a inventariar-lhe os defeitos, da alegada vaidade à alegada falta de escrúpulos. (…) Carrilho, ninguém terá dúvidas, gostava de aparecer na televisão. Mas também não ignorava, decerto, que um ministro que os portugueses não conhecem dificilmente estará nas melhores condições para impor no executivo as prioridades do sector que tutela. (…) A ironia é que o mediático Carrilho, parece-me difícil não o reconhecer, puxou este país para cima como nenhum outro ministro da Cultura o fizera antes dele.(…) Carrilho gostava de ser ministro da Cultura, tinha um projecto consistente e, enquanto dispôs de meios, levou-o por diante.»
Luís Miguel Queirós, Público, 09.11.02
«Entretanto surgiram duas propostas de trabalho: a de Serralves e a do Guggenheim em Bilbau, e acabei por aceitar Serralves porque considerei que era aqui que poderia actuar com maior liberdade, porque estava a começar e porque o Guggenheim dependia da casa-mãe. Muita gente achou que eu estava maluco. Mas depois de ter tido uma reunião com o ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, onde me foram garantidos os meios necessários para desenvolver o trabalho, aceitei.»
Vicente Todolí, entrevista a Diário Económico, 25.10.02
«Diz que não gosta que lhe lembrem que teve razão antes de tempo, mas percebe-se que não pensa noutra coisa. Foi o primeiro a bater com a porta no governo de António Guterres e a antecipar os males que conduziriam mais tarde à desistência de Guterres e à derrota eleitoral dos socialistas. Hoje, reclama um estatuto que lhe permite exigir uma impiedosa reflexão sobre os erros do passado e uma renovação de métodos, causas e protagonistas. Inteligente e ambicioso, define-se como profesor universitário seduzido pela política. Perfeccionista quase até ao exagero, pondera meticulosamente o alcance e o tempo de todos os seus passos.»
Margarida Marante, Notícias Magazine, 22/09/02
«E aqui faço a minha homenagem a Manuel Maria Carrilho, que se calhar por razões que tenham a ver com necessidades de afirmação pessoal, foi a pessoa que pôs o dedo na ferida a tempo e horas. E ele tem moral para falar.»
Vicente Jorge Silva, entrevista a Independente, 27.09.02
«Portugal tem hoje uma cultura cosmopolita e uma oferta cultural, que faz com que Harold Pinter se inquiete com a sorte dos Artistas Unidos de Jorge Silva Melo, corridos do Bairro Alto, e com que Jack Lang ou Luc Ferry sejam amigos pessoais do ex-ministro Manuel Maria Carrilho.»
Clara Ferreira Alves, Expresso/Única, 07.09.02
«Não sei se o Filmógrafo vai fazer falta. Espero que não…Mas houve uma evolução desde o início doa anos 90 até à saída do ministro Carrilho – depois disso, foi sempre para baixo»
Abi Feijó, entrevista ao Público, 10.08.02
«A segunda legislatura do PS foi um fracasso total (e em termos culturais ainda mais) Que começou com a desistência de Manuel Maria Carrilho. Embora ele tenha sido um excelente ministro, tenho de responsabilizá-lo. Não se desiste assim. E deixou-nos com Sasportes, o Santos Silva…ou seja, no caos total.»
João Fiadeiro, Notícias Magazine, 14.07.02
«Acha que nos últimos anos houve uma estratégia consistente, por parte do Governo, para a área do teatro em Portugal?
- Acho que houve nos anos de Manuel Maria Carrilho e que parou aí.»
Ricardo Pais, entrevista ao Diário Económico, 24.05.02
«Claro, salvam-se na bancada xuxa o Sócrates e o Carrilho, os elegantes de serviço, mas o Sócrates tem aquele nome terrível, socrático, piroso, e leva-se tão a sério que se julga o novo Guterres, coisa de que nem o velho Guterres seria capaz. É um pedante, com frases do género “vocês não acertam uma”, de uma vulgaridade de sócio ricaço. Ninguém apanharia o Carrilho a dizer vocês não acertam uma, mas, pensando bem, um é que tem nome de filósofo e o outro é que é de filosofia.»
Clara Ferreira Alves, Expresso/Única, 20.06.02
«Está a ver-se a voltar a esse papel interventor, enquanto cidadão numa circunstância em que considere que este governo de coligação PSD/PP não vai chegar a lado nenhum?
- Fiz essa intervenção algumas vezes com o governo de António Guterres, embora tenha tido, desta vez, um par que diria superior: o Manuel Maria Carrilho. Ele fez a sua própria oposição e uma guerrilha ideológica acentuada, quanto a mim muito bem feitas e com resultados.»
Pedro Abrunhosa, entrevista ao Diário Económico, 05.04.02
«No meio de tudo isto, e quando tantos falavam em restituir qualidade ao país, ninguém – oh, espanto – fala na Cultura. Razão tinha Manuel Maria Carrilho quando afirmava que a política da cultura começa por ser a política de dar visibilidade à Cultura»
Eduardo Prado Coelho, Público, 01.04.02
«É a falta de coragem para despir a capa do passado e aproveitar a desorientação do presente para apanhar o mundo de surpresa. E isso, uma coisa dessas, das que nem no PREC os políticos tinham a coragem de fazer, só pode ser feita por alguém como o Prof. Manuel Maria Carrilho. Vocês estão a imaginar o choque? De repente o líder máximo do PS é um dos homens mais inteligentes que existem no nosso país? E tem tanta energia que ninguém aguenta o ritmo dele? E, só para chatear, é bonito e veste-se bem e nem sequer disfarça que é vaidoso, e tem ideias, e corta a direito, e não tem meo de fazer inimigos? E não desiste? E pensem um bocadinho mais para a frente, quando este PS da metamorfose tivesse recuperado a sua antiga unanimidade nacional. E quando o senhor fosse Presidente da República, algum país do mundo voltava a esquecer-se de Portugal? Com a Bárbara a sair do avião vestida pelo Tenente? E o espectáculo irresistível de ver duas pessoas lindas completamente apaixonadas? Quando isto aconteceu na América, é verdade que assassinaram o Kennedy. Mas não há nenhum americano que diga que não valeu a pena»
Clara Pinto Correia, Visão, 07.02.02
2001
«Guterres não pode queixar-se de falta de avisos. Foram muitos, lúcidos e bons. Chegou mesmo a ter, no Congresso em que foi aclamado pela horda basista arregimentada pelo incansável Jorge Coelho, quem desafiasse as suas posições políticas e governamentais e que, por isso, teve direito a uma vaia monumental. Manuel Carrilho saiu a sorrir e tinha razões para isso»
João Mário Grilo, Visão, 27.12.01
«[Jorge Coelho] classificou também Manuel Maria Carrilho como a “figura mais notável que o país já teve na área da cultura”, acrescentando que o vê como “uma das pessoa que um dia podem almejar à liderança do PS»
D.D., Diário Económico, 22.10.01
«Só com Manuel Maria Carrilho é que houve projecto cultural num Governo. Antes disso, e depois, francamente, acho que os projectos estão outra vez na mesma e que isto vai continuar a ser uma coisa triste e sem grande saída, sem grande sequência.»
Julião Sarmento, Working in Progress/F.Calhau, p.179, Fund. C.Gulbenkian, Outubro/2001
«O grande desenvolvimento que houve no teatro no tempo de Manuel Maria Carrilho não passou pelo aumento de subsídios, mas pelo clima de confiança no ministério da Cultura. Esse clima foi gerador de imaginação, de vontades, de dinâmicas, de projectos. (…) Carrilho preocupou-se em estruturar um modelo. O trabalho foi interrompido.»
Joaquim Benite, entrevista ao Expresso/Actual, 14.07.01
«Manuel Maria Carrilho, que nada tem de ingénuo, sempre soube que não era propriamente amado pelo aparelho do PS. A primeira razão e a mais importante é que ousou desprezar aquilo que esse aparelho mais preza e ambiciona – o poder. Em 7 de Julho de 2000, fez o inimaginável, saiu de ministro pelo seu próprio pé, deitou fora o que todos querem. Há outra coisa que o aparelho do PS não perdoa a Carrilho, é o facto de ele existir profissionalmente fora da política. Doutorou-se em Filosofia em 1985 e, em 1993, chegou a professor catedrático. Tem obra publicada em Portugal, França e Bélgica e, quando assumiu a pasta da Cultura pela primeira vez, acabava de ser eleito para a Cátedra Perelman, da Universidade Livre de Bruxelas»Artigo
Isabel Braga, Público, 13.05.01
«Que balanço faz, desde 1995, da realidade cultural do país e de que forma a política cultural do governo socialista contribuiu para a sua evolução?
-Acho que se mudou muita coisa. Nunca se produziu tanto cinema como agora, não havia o Teatro Nacional São João, não havia o Museu do Chiado como está, não havia o Teatro Viriato em Viseu, não havia uma política do livro tão activa, o mesmo se passa em relação ao património.
E para a alteração desse panorama foi decisiva a acção do ministro?
- Do ministro Carrilho? Sem dúvida. Foi o melhor ministro da Cultura que alguma vez Portugal teve. É indiscutível. Aprecio muito o trabalho de Teresa Gouveia, e de outros que o antecederam. Ele também teve mais tempo, mas foi mais consequente, persistente, abriu muitas áreas de intervenção…E isso teve resultados.»
Miguel Lobo Antunes, entrevista a Pública, 29.04.01
«Senti um momento de grande esperança no tempo de Manuel Maria Carrilho. Ao contrário do que alguns quiseram fazer crer, não aderi inicialmente à sua política para a Cultura. Logo no início, senti-me muito decepcionado quando, em vez de convocar os agentes culturais, fez uma pseudo consulta e acabou por decidir ele próprio. Muitas vezes, desagradou-me a cedência a um teatro chic, de luxo. (…) Mas tiro-lhe o chapéu por ter defendido absolutamente que o Estado deveria ser responsável pela actividade cultural e por ter criado o máximo de estruturas para que esta funcionasse. Houve um plano, uma vontade de exigir, junto do governo, verbas para a Cultura, uma cabeça a pensar com profundo conhecimento, na maior parte dos casos, do que se estava a passar em cada uma das áreas. Tenho muitas saudades.»
Luís Miguel Cintra, entrevista à Visão, 24.05.01
«[Manuel Maria Carrilho] de longe, o mais interessante responsável pela política cultural dos governos do pós-25 de Abril»
João Mário Grilo, Público, 19.04.01
«Manuel Maria Carrilho tem dois adversários privilegiados. Em qualquer dos casos, trata-se se evitar reduções da complexidade a modelos de dimensão e sentido único. Em primeiro lugar, o adversário é o economicismo, isto é, a perspectiva desenvolvimentista que acha que o desenvolvimento do país está numa “política de betão”, e que o resto virá por acréscimo; em segundo lugar, o adversário é o tecnocratismo, que pensa existe um determinismo tecnológico que assegura que os mecanismos comunicacionais levam directamente ao uso democrático e cultural dessa comunicação (e daí os grandes debates sobre a Internet e as novas tecnologias).Artigo
Eduardo Prado Coelho, Público, 14.04.01
«Quanto a esse entusiasmo [pelo dos criadores portugueses], ele é a origem da comparação que Cintra acabou por fazer entre o actual e o anterior ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, autor, na sua opinião, de uma actuação “essa sim coerente no seu entusiasmo pela responsabilização do Estado no desenvolvimento das actividades culturais”. “Concordo absolutamente”, explica Mantero.”O ministro Sasportes parece estar a fazer tudo para que se admire cada vez mais o ministro Carrilho. Era muito mais sério, consistente, aberto.”(…) Miguel Pereira, que nem há uma semana regressou da Alemanha, onde esteve em trabalho durante cerca de quatro meses, reitera as explicações de Mantero relativas a Carrilho.”Enquanto foi ministro foi bastante criticado mas, agora, passou a ser visto como um herói, uma pessoa que fez um trabalho fantástico”»
Vanessa Rato, Público, 29.03.01
«Manuel Maria Carrilho fez um trabalho excelente, teve uma entrada de leão, e um dos argumentos que usou quando abandonou o gabinete foi a falta de financiamento para levar adiante o seu projecto.»
José Rodrigues, entrevista a A Página, Fevereiro
2000
«Manuel Maria Carrilho é uma das “figuras” mediática do Governo socialista. Mediático, com resposta pronta, constitui um dos trunfos de Guterres para polémicas que exijam agressividade. O primeiro-ministro já mostrou que o apoia em causas difíceis, como sucedeu com no Porto-2001.Mas vai ser alvo de muitos ataques e não se sabe se resistirá até ao fim»
José António Saraiva, Expresso, 30.12.00
«Há nela [na intervenção de Manuel Maria Carrilho], concorde-se ou não, múltiplos elementos de reflexão. Eles têm sido sistematicamente rasurados para converter os textos em meros reflexos de uma estratégia política (ou de vingança pessoal) Algo neste diagnóstico obviamente se perde: acusa-se o mensageiro de tudo e mais alguma coisa para não chegar a ler a mensagem. Só que a mensagem estálá, preto no branco, independentemente das qualidades ou defeitos do mensageiro. Afinal de contas, Carrilho não foi demitido. Demitiu-se precisamente pelas razões políticas que em vindo a explicar»
Eduardo Prado Coelho, Público, 29.12.00
«O Professor Carrilho, por quem mantenho um interrogativo desgosto, presume dar lógica às suas diatribes (…) e deixa-nos admirados. Confusos, admirados e adormecidos de razão e senso comum Talvez seja isso que pretende. Mas deste torpor de inteligência ainda nos sobra vontade de perguntar: como pode um cristão ser ateu e um navegante não usar leme nem bússola? Se incorpora um partido, tem que respeitar a sua virtude, que é a formação de combate para com as agressões externas. Ora o professor manifesta-se tão livremente que parece gozar da impunidade que dá a filosofia – que é a maneira de construir o mundo sem contar com as pessoas. Sempre me pareceu que o professor Carrilho se movia dentro de um sistema mítico-ritual que se chama violência simbólica e que confiava no poder de atracção deste tipo de violência. Trata as pessoas ( e assim tratou o senhor primeiro-ministro) como símbolos predispostos a selar alianças mas que Têm de se conformar com a assimetria existente entre o homem comum e o homem de excepção. Eu creio que o professor Carrilho é demasiado inteligente para as funções que a sociedade lhe pede.»
Agustina Bessa-Luís, Independente, 29.12.00
«Manuel Maria Carrilho tornou-se num caso único: saiu do Governo, mas não se calou nem se escondeu na intriga. Emite opiniões assinadas por baixo.»
Visão, 28.12.00
«Os mesmos interlocutores do Público usam inclusivamente o facto de Carrilho ter saído do Governo pelo seu próprio pé, e não remodelado (…), para exemplificar o seu desprendimento da política activa. Garantem, para o efeito, que a determinação de Carrilho em deixar o Executivo passou, inclusivamente, por ser indiferente a insistentes pedidos de António Guterres para ficar no Executivo. (…) Manuel Maria Carrilho não prescinde de um milímetro que seja da sua liberdade – e, como já se tinha visto quando chefiava o ministério da Cultura, adora o cheiro a pólvora.»
João Pedro Henriques, Público, 20.10.00
«[M.Mª C.] já entrou no segundo Governo da “nova maioria” com um pé atrás. Não lhe agradou a indefinição do PS quanto ao objectivo de maioria absoluta para as legislativas de 1999, que a direcção do partido teimou em não assumir abertamente. Tentou nessa altura, quando se preparava a campanha legislativa, ter um papel mais activo fora do âmbito estrito do seu Ministério da Cultura. (…) O desencanto do ministro acentuou-se, mas Guterres convenceu-o a ficar (...).Quando assume o segundo mandato no Ministério da cultura, começa a dar gás a duas frentes de combate que já tinha aberto, embora sem grande dimensão pública, na primeira legislatura: a tutela da RTP e a tutela da política cultural externa.»Artigo
João Pedro Henriques, Público, 25.10.00
«A passagem de Manuel Maria Carrilho pelas altas esfera da governação foi inesperada, intensa e deixará rasto (…). Num governo por vezes demasiado pacífico, Carrilho soube impor direcção ao respectivo ministério. Cortou a direito para atingir os fins, tinha uma ideia clara do que queria e soube transmiti-la, não pediu licença a ninguém para ter opiniões próprias (como a que, a tempo e horas, defendeu sobre a televisão estatal), reservou, em suma - na sequência de uma tesourada orçamental indecente - um lugar mais do que justo na reserva estratégia do PS.»
António Cerveira Pinto, Sofia, Julho/2000
«Gostaria, para terminar, de dizer que não me move nenhum panegírico a Manuel maria carrilho. Mas, reconheço, gosto daqueles humanos que entram quando acham que sim e saem quando acham que não; é a condição humana no seu melhor que aí se encontra.»Artigo
Carlos Amaral Dias, Expresso, 29.07.00
«Porém, mal foi indigitado e nomeado ministro da Cultura (...) logo Carrilho se evidencia entre os colegas do Governo escolhido por António Guterres como um dos poucos capaz de se declarar politicamente. Durante largos períodos, foi até o membro do Governo mais disponível para a luta política e, se bem me lembro, o único que afrontou Marcelo rebelo de Sousa ao seu nível. Bastariam esses sinais para se detectar a passagem do catedrático à condição do homem político.»Artigo
José Medeiros Ferreira, Diário de Notícias, 18.07.00
« (...) em última instância, o que está em causa é o respeito que os portugueses merecem e a continuidade ou não de um trajecto que, pela primeira vez, tinha colocado as coisas da cultura nos eixos exactos.»Artigo
Emídio Rangel, Diário de Notícias, 15.07.00
«E é pena, porque se há políticos que em Portugal têm actos de que se podem orgulhar e ideias que se podem discutir, um deles é sem dúvida, Manuel Maria Carrilho.»
J.Morgado Fernandes, Diário de Notícias, 15.07.00
«Nenhum ministro deste Governo suscitava tantos anticorpos como Carrilho. E no entanto quando ele se demitiu, constatou-se que o balanço positivo da sua acção se impôs claramente às apreciações negativas Porque vivemos num país onde não parece bem dizer mal de quem parte ( ou de quem morre)? Ou porque Carrilho foi um dos raros ministros de Guterres que construiu uma política e deixou uma herança – que tinha ideias, se batia por elas e procurava concretizá-las, impondo a cultura como um dos eixos estratégicos e consequentes do Governo? Mesmo onde a sua arrogância, as suas apetências centralizadoras e providenciais, o seu insaciável narcisismo comprometeram a afirmação de novas políticas – foi o caso mais notório do Património – ou o arrastaram para um percurso errático, Carrilho rasgou caminhos estimulantes e dinamizadores e ordenou um território que, antes dele, não tinha configuração nem coerência, votado que estava a uma menoridade mais ou menos decorativa e excêntrica. Ele não só ergueu e deu sentido a um ministério que não existia, elevando a cultura a uma dignidade política própria, como porventura tornou irreversível a necessidade de uma política cultural com estatuto de maioridade.»
Vicente Jorge Silva, Diário de Notícias, 14.07.00
«Numa brevíssima síntese, porém, talvez se possa dizer que Carrilho acabou por mostrar ter uma ideia e uma estratégia para o sector, mostrou que sabia o que queria e para onde ia, sendo largamente positivo o saldo global do seu mandato»
José Carlos de Vasconcelos, JL, 14/07/00
«Já se sabia que a chamada Cultura era um pouco mais que a cereja bo bolo suculemnto da política. A demissão do mais mediático ministro da Cultura só o confirmou. Ninguém, entre nós, assumiu a sua missão cultural com menos problemas de consciência. Não sabia para onde ia, mas sabia, e soube, o que queria. Coisa rara em Portugal e entre portugueses. Só por isso a sua demissão tinha de aparecer como um acontecimento «político» maior. Que mais não fosse por ter alterado o estatuto «político» da Cultura em cena portuguesa. E, indirectamente, cultural, em sentido próprio. De ministério mais ou menos «decorativo», Manuel Maria Carrilho trouxe a Cultura, e não só em termos mediáticos, para o receio dos «grandes». Entenda-se, o da política. (…) com ele triunfou a ideia de uma tendencial «culturalização» do político (…) , graças à sua percepção e à sua coragem em não ter deixado confiscar a esfera cultural pela do político, convencendo o político de que esse era o seu interesse e a sua salvação.»
Eduardo Lourenço, Visão, 13/07/00
«(…) o homem que, ao longo de cinco anos, pôs em prática a política cultural mais bem pensada, organizada e propagandeada, e a mais convicta e solidamente socialista desde o 25 de Abril.»
Eurico de Barros, Diário de Notícias, 11/07/00
«No almoço que com ele tive na quarta-feira passada, Manuel Maria Carrilho não me disse que se iria demitir. Limitou-se a querer comer na varanda do CCB, a perguntar-me onde é que e tencionava passar o Verão, a olhar o rio e a dizer que lhe apetecia imenso ir para férias. No final, quis mesmo comer um mil-folhas, o que, para quem conhece a sua austeridade gastronómica, me pareceu o cúmulo da libertinagem. Foi no mil-folhas que percebi que a demissão era irreversível.»
Eduardo Prado Coelho, Público, 10/07/00
«Penso que [Manuel Maria Carrilho] teve uma gestão mais do que positiva. Deu à cultura portuguesa uma dimensão política nova. A sua demissão é um facto político importante não só no que diz respeito à cultura mas ao status do governo. Não foi só ministro da Cultura, mas tornou-se uma personalidade importante da política portuguesa»
Eduardo Lourenço, Público, 09.07.00
«Manuel Maria Carrilho é certamente um dos responsáveis pela cultura que fica como dos mais fortes e decisivos. É um intelectual com uma considerável vocação administrativa. Em primeiro lugar, criou uma política cultural coerente, marcadamente à esquerda. Em segundo lugar, é um mérito seu, tem uma imagem internacional muito respeitada. Em terceiro lugar, estabilizou uma arquitectura para o Ministério da Cultura. Finalmente, teve um sentido inovador em áreas como o design ou a arte contemporânea.»
Eduardo Prado Coelho, Público, 09.07.00
«O mais eficaz. O mais apoiado. O mais irritante. Manuel Maria Carrilho foi o responsável da Cultura com mais meios e mais obra feita, os partidários mais leais e os detractores mais emotivos de sempre em Portugal, e o seu lema podia ser “tudo o que não me mata, torna-me mais forte”.»Artigo
Alexandra Lucas Coelho, Público, 09.07.00
«Manuel Maria Carrilho era politicamente incorrecto, em particular para o Partido Socialista. A cultura socialista não tolerou o seu nascimento e menos ainda a sua gestão irrequieta. Talvez por isso o ministro demissionário se tenha esforçado por ser também politicamente incorrecto para o principal partido da oposição. No palavreado e na postura, sem receios de ódios entre socialistas e sociais-democratas. E consegui-os, com gozo. Um gozo que António Guterres nunca comentou, que essas gargalhadas sempre foram reservadas às paredes do seu velho sótão. O ministro da Cultura dizia o que Guterres não arriscava dizer, mesmo sem recorrer a figuras de estilo de gosto duvidoso. Manuel Maria carrilho foi útil a Guterres e ao Governo ao transformar incómodos sem rosto em inimigos personalizados. Carrilho não sai vencido por inimigos, que a sua gestão também fez muitos amigos públicos e notórios. Soube balanceá-los e fez política. O ministro da Cultura demitiu-se do Governo de António Guterres. Esperou pelo regresso de Guterres, pelo fim da presidência da União Europeia, mas não aceitou ir de férias como ministro. Não quis participar na rentrée política, porque já nada tem que fazer. São estas as “razões pessoais” que o primeiro-ministro não quis ontem comentar. A demissão de Carrilho é por razões de Governo, do que este tem ainda para dar. O ex-ministro terá avaliado que este Governo de nove meses é velho. Nunca conseguiu aliás ser nove, mas apenas um desgaste do anterior. Assim, mesmo para quem foi à luta - e sabem-no melhor os opositores do que os apoiantes de Carrilho – há lutas que não valem a pena. É por isso que a demissão do ministro da Cultura é um barómetro para Guterres ter em conta. Mais do que as sondagens sobre o voto.»
Francisco Azevedo e Silva, Diário de Notícias, 09.07.00
«O auto-retrato»Artigo
Carlos Magno, Diário de Notícias, 09.07.00
«Qual o político que mais admira?
- Manuel Maria Carrilho, porque teve a coragem de dar uma dimensão humana à política na medida em que assumiu a sua fraqueza emocional. Não gosto do Governo do PS, mas acho que Carrilho, apesar de tudo, tem sido uma lufada de ar fresco.»
Manuel Serrão, entrevista ao Expresso, 24.06.00
«Numa entrevista assinada por Fernanda Câncio, (DN, 18/04), entrevista a vários títulos interessante e estimulante, Manuel Maria Carrilho fala assim da solidão: “Entendo a solidão como o modo mais autêntico de estar com as outras pessoas”. Sem ironia: é uma das mais contundentes afirmações saídas nos últimos tempos da boca de um político português. Mais do que isso: é um enunciado dinâmico e, em si mesmo, criativo lançado num espaço político-partidário onde predomina a retórica, o efeito de repetição, o discurso de telejornal.»
João Lopes, Diário de Notícias, 29.04.00
«Nenhum ministro faz uma literatura. O que não impede que por ela se bata. Assim, Manuel Maria Carrilho, que desde a primeira hora se tem batido pela nossa literatura (e em geral pela cultura portuguesa) como factor político de posicionamento do nosso país no mundo. O “Salão do Livro” em Paris, em que Portugal é convidado de honra, coroa esse seu combate.»
JL, 22.03.00
«É um ministro com uma ideia do que deve ser um Ministério da Cultura e uma política cultural e tem conseguido impor uma imagem internacional que hoje o torna respeitado em termos europeus e no conjunto dos ministros da Cultura. Por vezes conflituoso e incomodativo, tem uma personalidade forte e afirma-a. Tenho discutido muito com ele sobre as grandes linhas do seu projecto cultural. Como se trata de uma discussão muito antiga, que data de muito antes de eu pensar que ele poderia vir a ser ministro da Cultura, devo dizer que estou quase de acordo em todos os aspectos»
Eduardo Prado Coelho, entrevista ao JL, 08.03.00
«Não sabemos porquê nem nos queremos meter nisso. Mas se escritores, actores, encenadores, realizadores de cinema, músicos e gestores e animadores culturais aplaudem o ministro da cultura – até há quem o classifique de fenómeno mais rico da cultura desde António Ferro - quem somo nós para duvidar? Algum mérito o sr.ministro deve ter, para se dizer tão bem dele num particular momento em que só ser deste governo já abona pouco.»
Tal e Qual, 04.02.00
1999
«Ninguém defende o tão defensável Carrilho – o único ministro culto, original e valente deste século inculto, conformista e cobarde.»Artigo
Miguel Esteves Cardoso, O Independente, 14.11.99
«Porque é que ele quis ficar na Cultura?
-Tem uma grande influência. E uma dimensão que normalmente não existe na política, que é a da filosofia…
Esse território, segundo diz, só dos homens…
-Acho que sim. A maior parte das pessoas são ocupadas. Ele não é uma pessoa ocupada, faz os outros ocupados…fartam-se de trabalhar à volta dele [risos].Ele tem um lado superior, de fascinação, até. (…)
Está interessado em quê, no poder?
- Não…talvez não. Aí está, é uma pessoa enigmática [risos]»
Agustina Bessa-Luís, entrevista a Pública, 31.10.99
«Queria saudar particularmente a presença do senhor ministro, que está sempre com os artistas, o que nunca acontecia antes. Espero que esta antestreia seja também a antestreia de um novo mandato»
Manoel de Oliveira, DN, 25.09.99
«Preto no branco, eu, que tantas vezes critiquei, até acho que o balanço é positivo, mas não esqueço as insuficiências e os disparates. E também sei que, com este PS, o mais provável é que quem vier depois seja bem pior»
A.M.Seabra, Público, 27.06.99
«Goste-se ou não do ministro, temos de reconhecer que há hoje o que nunca tinha existido. Há um Ministério da Cultura a funcionar, arquitectado com clareza e nitidez. Há uma consciência muito forte de que uma política cultural não é um conjunto de emoções mais ou menos generosas, mas um sector que implica um conhecimento profundo da especificidade dos problemas, nas suas dimensões não apenas técnicas, mas também económicas, sociais ou jurídicas. Há também a ideia muito vincada de que uma política socialista da cultura não é uma política qualquer, é uma dimensão essencial do projecto socialista. Há um sentido de identidade não fossilizada, de modernidade aberta e inovadora, e ao mesmo tempo uma lúcida apreensão do modo como as indústrias culturais condicionam a criatividade cultural. E há um ministro da Cultura que é hoje um ministro de prestígio europeu, informado, culto ( o que não tão frequente como isso) e capaz de de defender um pensamento próprio a partir de uma experiência pessoal extremamente rica.»
Eduardo Prado Coelho, Público, 24.06.99
Artigo 1
Artigo 2
Artigo 3
«Manuel Maria Carrilho é um tipo fantástico…é um intelectual que entrou na acção…é, na minha opinião, o melhor ministro da cultura da Europa.
- Não estará a exagerar. Não é essa a opinião de muita gente em Portugal…
Eu penso isso, sinceramente. Se tivesse de distribuir pontos aos vários ministros da União Europeia, era a ele que daria a maior cotação. Faz um trabalho em profundidade, sério…reorganizou totalmente o ministério da Cultura.»
Jack Lang, entrevista ao Expresso, 05.06.99
«E é por isso surpreendente que alguém ainda se surpreenda com aquilo por que se bate Manuel Maria Carrilho.»Artigo
António Mega Ferreira, JL, 05.05.99
«Avant une conférence, hier soir, cérémonie officielle, genre diplomatie mondiale : j’ai signé une convention entre Porto qui devient ville-refuge et le Parlement International des écrivains. En présence du ministre de la Culture du Portugal, un ami qui, en 1984, alors qu’il était professeur à l’Université et mon hôte à Lisbonne, m’avait emmené à l’hôpital à 3 heures du matin. Je lui avais téléphoné en plein crise, cela m’arrivait souvent cette année-là avant l’ablation d’une pierre et d’une vésicule biliaire.»
Jacques Derrida, La Contre-allée, Ed. La Quinzaine Littéraire
1998
«Como é que de Lanzarote, o José Saramago avalia a política cultural deste governo?
- Os ecos e as notícias que tenho é que está a trabalhar-se bem (…)Tanto, que não creio haver, em toda a vida democrática, desde os anos da Democracia que estamos a viver, nenhum outro governo que tenha tido uma política tão coerente como este. Nos seguintes planos…das bibliotecas, dos arquivos, digamos, em tudo.»
José Saramago, entrevista à RTP, 03.12.98
«E já que não posso nomear todos os que intervieram neste processo, deixem que os represente a todos na pessoa de Manuel Maria Carrilho, ministro da Cultura. Se bem se lembram, um dos primeiros acontecimentos do seu pontificado foi a atribuição do Prémio Camões a José Saramago. Logo foi o sinal que ele não seria Lara. No dia da festa, ele foi a presença constante em todas as estações, em todos os noticiários. Nunca deixou que a paixão lhe turvasse a análise, mas também jamais abdicou de falar apaixonadamente. Aquela cabecinha estava certa com aquela alma. Nada de discurso oficial, de pose, de solene hipocrisia ou da banalidade balofa dos conselheiros mais ou menos acácios que entre nós pululam. O seu principal mérito foi este: passar despercebido do ministro da Cultura. A sua lição foi bem simples: Saramago não se realiza com este prémio, realiza-se com os seus leitores. (…) Oiçam esta “Se perguntássemos quantas vezes veio ao Canal 1, teríamos certamente uma má notícia” As palavras são de Manuel Maria Carrilho. Foram itas no próprio canal 1. Numa estação que disponibiliza todas as câmaras para o futebol e que não tem uma equipa para acompanhar a forte representação portuguesa em Frankfurt. Agora torce a orelha, mas não deita sangue. Tudo porque ignorou as palavras de Manuel Maria Carrilho: a projecção de um país consegue-se principalmente através da sua cultura. A televisão portuguesa é uma máquina de bestializar. Carrilho nunca diria isto, porque é uma pessoa bem-educada. Posso dizê-lo eu, que não sou.»
Mário Castrim, Tal e Qual, 16.10.98
«Hoje, já se pode dizer que as grandes transformações na Cultura se devem bastante ao Manuel Maria Carrilho Este ministro é de um dinamismo extremo. De tal forma que acaba por destruir colaboradores que não conseguem aguentar a “pedalada”, ficano completamente desfeitos ao fim de algumas semanas.»
Eduardo Prado Coelho, strong>Semanário, 21.03.98
«A política para o teatro melhorou?
-Imensíssimo. Alguém que diga o contrário, que não melhorou nada e está tudo na mesma, acho porco. Não acredito que esteja a falar verdade, acho que está a fazer demagogia.»
Luís Miguel Cintra, entrevista a Vida Mundial, Outubro de 1998
1997
«Ce jeune professeur de philosophie contemporaine, néophyte en politique, a su mettre en place la première véritable politique culturelle au Portugal. Il est un des personnages les plus en du gouvernement»Artigo
Marion Van Renterghem, Le Monde, 12.11.97
«(…) reconheço que o ministério da Cultura está a fazer um bom trabalho.»
José Saramago, em entrevista a Nova Gente, 05.11.97
«Acredita neste Ministério da Cultura?
- Eu respondo-lhe com uma pergunta. É capaz de entregar a sua energia, a sua cabeça a alguma coisa em que não acredite? (…) Antes eu era passiva, agora sou activa, mas sempre acreditei no ministro. É a mesma coisa que se passa com o Manoel de Oliveira e com os argumentos. Está tudo envolvido da mesma maneira. Ou se acredita ou não.»
Leonor Silveira, entrevista ao Semanário, 23.08.97
«Gostei, gosto do ministro da cultura uma vez mais, e o caso é que há uns temposnão estava para aí virado. Manuel Maria Carrilho conquistou-me, passe a palavra, através de sucessivas intervenções na TV e também decisivamente por força das muitas asneiras que contra ele têm sido disparadas. Julgo entender os mecanismos do disparate: foram muitos os que olhando um sujeito com ar de pessoa bem-educada, nomeado ministro da cultura e, para mais, especializado em filosofia, sossegaram: aquele não viria «fazer política», que é como quem diz, embaraçá-los. Afinal, para grande espanto e indignação seus, Carrilho «faz política», isto é, tem ideias claras sobre Kant e Schopenhauer, mas também sobre Marcelo Rebelo de Sousa e a utilidade funcional de Manuel Monteiro. A julgar pelos comentários havidos, isto de um ministro fazer política é um escândalo sem precedentes. Sobretudo se além de fazer política, tem ideias e as exprime. Mais ainda se é ministro da Cultura. (…) Entretanto, Manuel Maria Carrilho, que por acaso nem é arrasadoramente simpático pelo menos na TV, lá continua, sempre com maneiras excelentes que não excluem a clareza adequada o espírito demolidor, a fazer política e a gerir o seu Ministério. Pelo menos nisso é didáctico. Gosto.»
Correia da Fonseca, Jornal do Fundão, 13.06.97
«Chegou ao Governo de Guterres com fama de “frágil”. Pura ilusão. Lá por ser visto num bar lisboeta com esse nome, Manuel Maria Carrilho nunca foi de gelatina. E mostrou-se pronto para a luta logo no primeiro discurso que fez na Assembleia da República»Artigo
Carlos Magno, Diário de Notícias, 08.06.97
«Finalmente, temos um ministro da Cultura actuante»
Ricardo Carriço, Independente, 16.05.97
«Estamos longe de ter chegado ao vinte mas, no caso da Cultura, de facto passou-se do zero ao doze. O parque de Foz Côa foi um acto de coragem política que saudei entusiasticamente. A política que está neste momento a ter com o livro, acho que vai resultar»
Pedro Abrunhosa, O Diabo, 15.03.97
«A pergunta certa é, pois: o que faz correr o ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, porque é dele que se trata? E porque escolheu esta altura para, num artigo publicado no Público (“Política cultural: as diferenças”, 2/4/97) e numa entrevista ao Expresso (“Marcelo é pura gelatina política, 5/4/97) se afirmar como o mais político do ministros desta governo, se não mesmo o seu ideólogo? As explicações podem ser várias. Mas, para já, o ministro coloca os seus críticos socialistas, que os tem e poderosos, na defensiva; depois, passa ostensivamente uma imagem pública que transcende e de um mero ministro da cultura, preocupado com as gravuras de Foz Côa ou com a presidência da Tóbis. Carrilho quer continuar ministro da Cultura, mas deseja também ser visto como um político que pensa a esquerda do futuro. E quem actua assim tem obviamente ambições políticas superiores às funções que actualmente exerce»
Nicolau Santos, Público, 08.04.97
«A equipa que temos no ministério da Cultura é um luxo em qualquer parte do mundo meu entusiasmo não se prende com a opção política do Manuel Maria Carrilho, mas por ele ser quem é e fazer o que faz. Pela primeira vez em muitos anos temos um indivíduo inteligente e culto como ministro da Cultura»
Julião Sarmento, DNA, 26.04.97
« (…)
- a outra surpresa [do Governo] é Manuel Maria Carrilho…
- É a maior surpresa de todas.
- Gosta do estilo?
- O ministro da Cultura já provou mais de uma vez que tem coragem e não é de borracha (…) tem coragem política, discernimento e a palavra exacta no momento certo. E isso é um dom.»
Fernando Gomes, entrevista ao Diário de Notícias, 15.02.97
1996
«A coerência evidente que a leitura do conjunto de textos e de algumas entrevistas reunidos neste livro [Aventuras da Interpretação], apresenta, faz dele um notável exemplo de ensaísmo,pela forma como nos mostra que o ensaio supõe uma implicação na comunidade, não se destinando de modo nenhum a um círculo restrito de especialistas. Tal evidência deve-se sem dúvida à capacidade do seu autor para colocar de forma interessante os problemas de que trata, mas esta não é dissociável de uma concepção da filosofia várias vezes reiterada. A filosofia, enquanto actividade fundamentalmente problematizadora que não ilude a diferença irreparável entre problema e resposta, não ocupa, segundo esta concepção, qualquer lugar privilegiado no conjunto das disciplinas (…) A problematização é aqui entendida como uma aventura da interpretação. Não só porque a maior parte destes textos parte explicitamente da leitura de outros autores mas sobretudo porque, adoptando a conhecida afirmação nietzschiana “não há factos, só há interpretações”, dela se extraem duas implicações decisivas: por um lado, não há um sentido único a decifrar; por outro, a novidade absoluta é impossível, pois só pela tradução das tradições se constrói a resposta à interpelação do atrito que todo o acontecimento é.»
Joaquim Afonso, Expresso, 04.05.96
«O que pensa um filósofo a quem acontece estar no poder?»Artigo
Alexandra Abranches, JL, 13.03.96
1995
«A estreia do ministro da cultura no parlamento revelou um político de sangue frio.»Artigo
Isabel Braga, Público, 25.11.95
«Uma “temporada” em missão de serviço, que a sua vida tem outro governo. E uma missão precisa: fazer cumprir o que foi prometido.»Artigo
Maria Leonor Nunes, JL, 25.10.95
«Gostei muito, muito, da escolha de Manuel Maria Carrilho para ministro da Cultura. O poder, como sabeis, é uma carga de trabalhos, ingrata e traiçoeira, mas Portugal nunca teve, em cargo semelhante, uma pessoa tão verdadeira e sinceramente culta, elegante, educada e justa como esta que Guterres convenceu a aceitar o encargo. Tal como David Mourão-Ferreira e Vitorino Magalhães Godinho, a questão não a de saber se ele mereceu o cargo, mas se o país o merece a ele»
Visão, 19.10.95
«É rara, entre nós, a palavra dos filósofos – assim começa o livro [A Filosofia] de Manuel Maria Carrilho para a Difusão Cultural, e que tem precisamente como tema “o que é a filosofia”.(…) Neste contexto, Manuel Maria Carrilho desempenha um papel essencial. Independentemente da obra que tem vindo a construir (e neste livro há mesmo o esboço do que poderá vir a ser futuramente uma autobiografia filosófica), podemos começar por assinalar o seu trabalho incansável de animador da vida filosófica portuguesa, quer através de convites a personalidades estrangeiras, quer pelo trabalho de informação e reflexão desenvolvido em sucessivas revistas e colecções (lembremos neste momento o excelente projecto editorial que conduz na ASA), quer pela organização de encontros de encontros e colóquios ou pela invenção de livros (é o caso do “Dicionário do Pensamento Contemporâneo”, que organizou para as Publicações Dom Quixote), quer ainda pela colaboração estreita com teóricos e criadores artísticos ( é o caso das intervenções na preparação de espectáculos de Ricardo Pais, é o caso ainda da sua cumplicidade com as pesquisas de Pedro Frade), pelo labor desenvolvido no plano pedagógico (recordam-se das polémicas suscitadas pelo seu projecto de reforma dos programas de ensino da filosofia em Portugal?) ou pela intervenção cívica em acções de ordem política.
Esta aparente dispersão (onde não se pode omitir uma presença internacional rara e significativa) pode levar-nos a uma espécie de distracção mundana que consistiria em esquecermos que existem textos e que um determinado percurso, feito de contornos e de experiências por vezes dolorosas, tem vindo a configurar-se com uma crescente coerência. Redigir um pequeno livro tendo por tema “o que é a filosofia”, mesmo que o autor restringisse os seus propósitos à filosofia contemporânea, não era de modo algum uma tarefa fácil. Manuel Maria Carrilho executou-a brilhantemente, e podemos dizer que cometeu uma dupla proeza: deu-nos um retrato bastante completo da filosofia dos nossos dias e ao mesmo tempo um balanço do estado actual da sua própria reflexão.»
Eduardo Prado Coelho, Público, 15.06.95
«Manuel Maria Carrilho é um acaso à parte no panorama filosófico português. Desde logo pela regularidade e pela intensidade, entre nós absolutamente ímpares, da sua obra publicada. Depois, pela exemplar atenção dessa obra ao pensamento contemporâneo na estimulante diversidade dos seus movimentos. Por último, e decisivamente, porque o conjunto dessa produção se foi organizando como criação, livro a livro mais consistente, de uma nova ideia de filosofia susceptível de induzir um fecundo “esquecimento” das melancólicas teorizações crepusculares sobre a crise ou mesmo o fim dessa actividade. É sobretudo isso, a focalização do seu trabalho numa ideia directriz em processo contínuo de explicitação, que faz de Carrilho, sem contestação possível, um filósofo.
Só deste ponto de vista, ou por inserção num necessitante percurso criativo, se pode compreender a importância estratégica do recente ensaio sobre Jogos de Racionalidade (ASA, 1994). Porque este não é apenas «mais um» livro seu. É, pelo contrário aquele em que a perseguida ideia de filosofia atinge enfim uma determinação completa, uma plena formulação temática e com ela também um, concomitante, estatuto programático. Trata-se, digamos, de uma espécie de «discurso do método» do autor: de um texto-charneira, ao mesmo tempo uma súmula e uma abertura, um ponto de chegada e um ponto de partida. Como se, com este livro (…) ele se desquitasse da tarefa de teorizar a filosofia e se libertasse para a de simplesmente fazer filosofia.»
Sousa Dias, Jornal de Letras, 29.03.95
1993
«Here is a small book [Rhétoriques de la modernité] that is easy to read and very clear. But it isn’t simple. In its aims to discuss all the important positions with which it deals, and to propose a privileged point of view, it is quite ambitious.
Nanine Charbonnel, Philosophy and Rhetoric, vol. 26, 1993/3, p. 248
«L’avenir appartient toujours à ceux qui s’interrogent, les autres ont rivé le temps au ou sont parvenus à en oublier le cours. Nul doute, en ce sens, que n’aient l’avenir pour eux les philosophes qui ont acquis ou retrouvé le sens des problèmes.(…) Ainsi Manuel Maria Carrilho en a-t-il conclu, à juste titre, que leur tache consiste à mettre à jour les présuppositions des arguments qui les opposent, à chercher par conséquent à élaborer une légitimité sur fond de cette « crise des récits » (selon l’expression de J.-F Lyotard) qui sonne le glas des représentations du monde. M.M.Carrilho évoque le « tournant rhétorique » que nous impose le souci retrouvé de cette contingence. D’autres que lui, comme Henri Atlan, n’hésitent pas à en appeler à la redécouverte de Protagoras et de la sophistique. Il s’agit en tout cas d’affronter ls disparition de la prétention dogmatique à l’universalité ainsi que l’abandon de toute fondation ultime de la connaissance. (…) Carrilho montre avec pertinence comment le problème de la rationalité est devenu pour nous un problème de frontière et non plus de critère, particulièrement depuis que les philosophes ont renoncé à imposer leurs interprétations et leurs paradigmes.»
Jean-Michel Besnier, Histoire de la philosophie moderne et contemporaine, Ed.Grasset, pp.653-654
«Le projet de ce livre, Rhétoriques de la modernité, est au moins original, à l’heure ou chacun se croit tenu d’annoncer ou de dénoncer « la crise » (de la démocratie, de l’économie, de la morale, de la science, etc.), enfin un chercheur qui nous déclare que l’une de ces crises – sans doute la plus importante, celle « du bon usage de la raison» - est terminée. « Façon de dire », sans doute, mais les occasions d’optimisme sont trop rares pour qu’on s’en prive ! D’autant plus que cette conclusion d’apparence paradoxale est fort soigneusement argumentée par un large balayage des discours contemporains sur les philosophies de la rationalité (…) Si soigneusement argumentée qu’elle a, pout l’essentiel, emportée ma conviction.»
Jean-Louis Moigne, Le cahier des lectures MCX, 1993
1992
«Il faut se réjouir de la parution dans la collection “L’Interrogation Philosophique”, aux P.U.F., de l’ouvrage de Manuel Maria Carrilho, Rhétoriques de la modernité. Voici, en effet, un livre passionnant et instructif à plus d’un titre. Le lecteur y trouvera un diagnostic de la situation philosophique contemporaine, marquée par la prégnance de la crise, et tout particulièrement para celle du sujet et de la raison. Mais aussi, l’auteur se propose de dire que la crise est terminée. La sortie de la crise passe par l’abandon de la logique qui l’a produite : il faut abandonner les conceptions qui ont fait de la necessité l’axe majeur de la compréhension du monde et de l’universalité, la norme suprême de la compréhension du sujet et de la raison. Il faut, contre l’histoire de la philosophie, réhabiliter la contingence. Ce virage que doit amorcer la philosophie, MMCarrilho la désigne sous le nom de « tournant rhétorique ». La reformulation de l’articulation rhétorique/rationalité, ouvre le chemin à une révision des problèmes de la philosophie. (…) Nous le voyons, Rhétoriques de la modernité, est un livre important. Il donne au lecteur des instruments d’analyse de la modernité e de la postmodernité philosophiques, lui donne des fils conducteurs pour repenser la philosophie à partir d’une théorie de l’argumentation, de l’interrogation et des jeux de rationalité.»
René Daval, Revue Internationale de Philosophie, vol 46, 1992/4, pp- 552-553
1989
«Qualquer leitor atento à realidade editorial portuguesa certamente já se apercebeu que nunca no nosso país se publicaram tantas páginas de filosofia como nestes últimos tempos. São muitas as obras traduzidas, são várias as revistas da especialidade publicadas com regularidade. E deve-se ter igualmente apercebido que a crítica de expressão filosófica tem desempenhado um papel importante na divulgação ao grande público das questões principais que se colocam hoje em filosofia e das diversas polémicas que animam e problematizam a nossa contemporaneidade. (…) O nome de Manuel Maria Carrilho está ligado a todo este processo, pois foi um dos que mais contribuiu para a situação que actualmente presenciamos.
Não é demais salientar a sua intervenção na cena filosófica portuguesa (e, mal-agrado de alguns, na internacional também) nem o trabalho dinamizador que realiza na selecção de obras para publicação, na direcção de revistas, primeiro a Filosofia e Epistemologia e actualmente a revista Crítica, e o muito que fez pelo desenvolvimento da investigação filosófica séria (…) Desde 79, ano em que organizou o volume História e Prática das Ciências, M.M.C. tem publicado regularmente. Em 82 edita O Saber e o Método pela IN-CM, e em 86 Razão e Transmissão da Filosofia, trabalho com o qual se doutorou em Filosofia na Universidade Nova, onde é professor.
A obra agora dada à estampa, Itinerários da Racionalidade, evidencia muitos temas que desde sempre o interessaram: a reflexão sobre o estatuto e a prática da transmissão dos saberes, a interrogação sobre a ciência e os seus mecanismos, a problematização desta como domínio privilegiado gerador de verdadeiros problemas filosóficos.»
Maria Lúcia Novais, Expresso, 24.06.89
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